pintura

quinta-feira, agosto 30, 2007





Poema para a Eternidade
sobre a obra de Brancusi


Não!
Nos limites do tempo
Já tudo tinha acabado


E
Para lá do tempo
Ainda havia

Um Mar imenso de trevas
Um Céu imenso de estrelas
Um Rosto imenso de olhar

Nos limites do tempo
Infinito inacabado!

Não há tempo
Nem lugar algum
Onde não possamos chegar…


Maria João Franco

2006

Mulher e Eu||MAC Movimento Arte Contemporânea

"MULHER E EU"
MAC -Movimento Arte Contemporânea
Abril 2006






MARIA JOÃO FRANCO



PINTURA



…sobre

“Mulher e Eu”
2006

A pintura (minha) não existe a partir de uma atitude perceptível ou reprodutora.
A sua “fisiologia” advém de uma acção sistemática e dinâmica de reconstrução ou reformulação do seu próprio objecto. Adquire forças e vectores que se interligam por uma forma quase autobiográfica. A “forma” visual tem a forma do sentir, do arrancar, do dissociar para reconstruir.
Essa dissociação constante, essa reavaliação persistente, essa dinâmica latente contem toda a poética da minha obra.
Cada imagem criada conterá já em si o potencial para a sua auto-reconstrução.
Isto é um processo mental que me ultrapassa na sua “mecânica”. Mas é assim e sistemático, não no acto voluntário, mas no automatismo do desconstruir para reconstruir dentro da mesma identidade, com o distanciamento necessário para a não repetição , acto contínuo descontextualizando-se para se igualar.
Não é uma história de repetições mecânicas de formas inventadas.
Assisto a uma regeneração constante e imanente de cada forma e imagem ,objecto em si não repetindo-se, mas prolongando-se em séries que se autodeterminam pelo modo como são abordadas .






Ao libertarem-se das imagens primeiras, criam vida própria,inserta numa sintomatologia própria.
Ao atribuir títulos ás séries estou a denotá-las com situaçãoes extremas,carentes de análise:

-nós os nus e os outros objectos “
-lugar dos desencontros ou os sítios da memória…
-tu vens tão perto… que a distancia existe
-Mulher e Eu

São situações alegóricas a estados do sentimento do estar.

O fio condutor destas mensagens passam pela relação necessária existencial entre mim e o mundo, ora inscrevendo-se nele como peça sujeita a todas as manipulações e as memórias percorridas pela sensação de ter estado, até à constatação efectiva da existência de um EU gerador e suficientemente distanciado da ideia para poder discernir.

Mulher e Eu é talvez a ponta do iceberg que se desnuda a cada passagem das Horas.

Um modo de estar percorrido por toda uma simbologia plástica ligada a uma formalização antropomórfica em que o útil objecto pagão se mistura não alienadamente, nem de forma aleatória com o sagrado.

Com um sagrado de sentido universalizante que emana de todos sentidos ( sinais ) de começo do Mundo – dos mundos…

Da Mulher à mulher
Das Vénus às Santas

De que uma é eleita Virgem.


Nada nesta dualidade “começo e fim” de todas as coisas, onde mesmo a Terra tem lugar de Mãe, afirma ou confirma o lugar de “macho”.

Há sim um universo plástico onde a Forma-Mãe se concebe como principio e fim de todas as CRIAÇÕES.

Maria João Franco
Maio 2006

quarta-feira, agosto 22, 2007


DR. MARINO TRALHÃO NA ABERTURA DA EXPOSIÇÃO "MEMORIAL DE ENCONTROS ENTRE A PELE E OS OLHOS FERIDOS DE NOSTALGIA..."

NOVE DE DEZEMBRO DE 2005


PESSOA

SENSIBILIDADE,HUMANISMO,INTELIGÊNCIA
CULTURA ELEVADA,CRIATIVIDADE,EMOÇÃO,LÁGRIMAS,RISOS E GARGALHADAS,GRANDEZA,FRAGILIDADES E CERTEZAS E DÚVIDAS MATERIALIZADAS NA PROJECÇÃO QUE CADA OBRA,NOS SEUS DETALHES,DE FORMA,MOVIMENTO,COR,LUZ,CLARO,ESCURO,A LUA E O SOL NO SEU ESPLENDOR,NOS FAZEM PERDER NO SONHO,NA VIDA,NAS VIDAS PLANANDO NA METAMORFOSE CONSTANTE,QUE CADA PORMENOR,,EM CADA OLHAR,NOS FAZ RECRIARMO-NOS,ENCONTRARMO-NOS,ENTERNECER-NOS,FASCINARMO-NOS,NA NECESSIDADE CRESCENTE QUASE IMPULSIVA
DE,AO VER E ADMIRAR,NOS SENTIRMOS TAMBÉM CALEIDOSCÓPICOS,NA DANÇA DA BELEZA QUE NOS PROJECTA AO INFINITO.
TAL COMO A OBRA,UMA MULHER QUE AMO PELO QUE ME DÁ, NOS DÁ,NESTA DANÇA MELÓDICA QUE A CADA PASSO ME ABRE E FAZ SONHAR.
OBRIGADO MARIA JOÃO

MARINO TRALHÃO

Da existência “sagrada” do não ser.
A forma exacta do não estar. O saber de não saber a liberdade.
A vida. Na coexistência impossível dos poderes.
O jogo.
Tabuleiro incompleto nas peças fulcrais.
Engrenagem viciada na inércia da volta que implicou uma ideia para além dos processos inelutáveis com que nos deparamos – consequências fatais da nossa condição… (?)
O sistema e aTerra este planeta em que o ser homem, se exige a si próprio um “auto – poder” em que se “absurdam” os princípios da coexistência.
Afinal a inteligência e os instintos sobrepõem-se de forma plasmada, de tal modo que nos leva a pensar que o instinto e/ou a inteligência se interconjugam
E que a lógica do instinto é a verdadeira estrutura mental de defesa da nossa existência.
Por absurdo cria-se a lógica da existência e da continuidade no mais primário dos seres e as nossas humanas teorias, tão sabiamente construídas sobre alicerces de medo e de desencontros fatais.

Afinal a espiral não tem princípio nem fim.
Começa no não começo e ergue-se e caminha e percorre até ao infinito que nos representa e simboliza o desconhecido.
Medo de todos os medos.
No fim de todas as coisas, onde o átomo e o possível não estar se encontram num sítio que não sabemos…
Esta dificuldade em definir o saber que difere do conhecimento – dado adquirido pelo transcorrer das civilizações, universos “ mutandos” e mutáveis; paradigmas de universos que são os patamares dos conhecimentos estratificados.
De onde retiramos as possibilidades da razão (causa) da nossa existência sobre a terra a que chamamos Terra.
De onde emanam os seres que nos iludem numa forma de céu que é o suposto transponível ilimite do nosso conhecimento.
De onde emana a nossa sapiência que é o entendimento do estatuto das coisas que nos rodeiam e não!

Se eu estivesse aqui ao meu lado, pensava de outro modo : - distância de perspectiva existencial.
Estaria a ver o que estou a fazer e descrever-me-ia, talvez, de uma forma que me seria estranha.

MJF Agosto 2007-08-08


sexta-feira, agosto 17, 2007




™ NIRAM ART
A Ñ O I I , N º 7 ▪ F E B R E R O 2 0 0 7
MARIA JOÃO FRANCO
PORTUGAL
Director: Rares Stejar Noaghiul Barbulescu
Multilingüe
.....................................
María João Franco: In between the Silence of the Bodies and
the Whisper of its Representation........Rocha de Sousa
How to Explain the Unexplainable?.........José Jorge Letria
Flowers of Mould.............Bianca Marin

One of the most amazing similarities lies in the comparison of Baudelaire’s poems “The Cat” (inspired by Edgar Allen Poe’s Tales of Mystery and Imagination, where he saw Poe’s use of fantasy as a way of emphasizing the mystery and tragedy of human existence) and Maria João Franco’s painting “The Dog”. In two separate poems, both entitled "The Cat", the poet is horrified to see the eyes of his lover in a black cat whose chilling stare, "profound and cold, cuts and cracks like a sword."( “Je vois avec étonnement/ Le feu de ses prunelles pâles,/ Clairs fanaux, vivantes opales/Qui me contemplent fixement). In “The Dog” the same terror is provoked by the big, stout dog with its face directed to a river of blood, and one can easily distinguish the form of a human face appearing in the lieu of the dog’s head. It is as if Baudelaire’s verses came to life in images, it is sheer Baudelaire poetry on canvas.



Moreover in “The Laying woman”(Deitada), a feminine figure seems to be sleeping or lying dead, her body torn into hundreds of little atoms, reduced to small, dispersed fragments, traces of paint flowing from her like drops of water. It is yet another example of how beauty can reside
even in the most horrible moments. The image created by the irregularity of the forms and the chaos of the splashes of paint is so beautiful that it seems as if flowers were growing out of her decaying body, the fertilizing territory of human flesh. Flowers of putrefaction, flowers of mould, the Romanian poet Tudor Arghezi would say. Maria João Franco makes caresses out of open wounds, “out of furuncles, moulds and mud” (Tudor Arghezi, “Testament” from the Volume of Poetry “Flowers of Mould”) she creates new beauties and treasures.
Maria João Franco is not obsessed with the ugliness or the pain. She accepts all the aspects of humanity, even the most infamous, because, as I said before, this may be the only way to extinguish them. The objective of her paintings is not to shock, but to heal. Her love for the human being is such, that its physical decay hurts her to the extent of endlessly trying to conquer it. It is a painful, deep love for the transient human body in all its circumstances, even in death. We can hear Maria João Franco’s voice speaking to us through the words of the poet Lucian Blaga in his poetic statement“I Will not Crush the World’s Corolla of Wonders ”: “I enrich the darkening horizon with chills of the great secret. All that is hard to know becomes a greater riddle under my very eyes becausI love alike flowers, lips, eyes, and graves”.
In order to understand a painting, we should look at it with eyes of a poet. It is easy to recognize fragments of Maria João Franco’s paintings in the verses of a poem. I tried to present here her paintings as seen through the verses of three poets that explain them better than any critical essay. There are no boundaries in art, and it would be no wonder if some day a poet would find inspiration in one of Maria João Paintings to create his or her own poetry.
"- Mon beau chien, mon bon chien, mon cher toutou, approchez et venez respirer un excellent parfum acheté chez le meilleur parfumeur de la ville."



Et le chien, en frétillant de la queue, ce qui est, je crois, chez ces pauvres êtres, le signe correspondant du rire et du sourire, s’approche
et pose curieusement son nez humide sur le flacon débouché; puis, reculant soudainement avec effroi, il aboie contre moi, en manière de reproche. "- Ah! misérable chien, si je vous avais offert un paquet d’excréments, vous l’auriez flairé avec délices et peut-être dévoré. Ainsi, vous-même,indigne compagnon de ma triste vie, vous ressemblez au public, à qui il ne faut jamais présenter des parfums délicats qui l’exaspèrent, mais des ordures soigneusement choisies."
(Charles Baudelaire)
About the state of struggling by Nichita Stanescu As though the superior knife edge had cut my clouds from the mountain tops does my immense and headless body hurl itself about,leaving its fugitive head in the sky. It cannot die though it no longer knows what its own life meant, in ages past.
The eye above observes the body below, its struggling . From the open throat a flock of green and chirping birds wells up

- The hand thrusts its claws into the mirage

- The eye, suspended, watches the desperate struggle (…)

Bianca Marin
-English translation by Thomas Carlson and Vasile Poenaru.

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Maria João Franco, Procura e Renovação




Como quem se redescobre em insuspeitada pujança, Maria João Franco, nesta série de trabalhos, retoma anteriores percursos e assume uma postura estética que já lhe valeu atenção especial. A grande escala, o gesto largo, aquele seu usual fascínio pelas cidades que brotam, texturadas, em pontos estratégicos da composição, constituem algumas vertentes desta "nova" pintura ou, se quisermos, o outro lado de um "modus operandi" que privilegia a densidade, o peso, e a força como elementos estruturais da sua comunição plástica. No fundo há como que uma evocação de arquétipos que estavam em repouso ou a recuperação de atitudes de que, racionalmente, havia abdicado. A renovação do seu vocabulário pictórico passa, portanto, por uma espécie de regresso às origens e pelo exercício do desenho, ponto de partida para voos mais ambiciosos Acontece-lhe uma figuração que não ulpassando os limites do mate, permanece como suporte de outras descobertas e de uma aventura de consequências sempre imprevisíveis.
Pintar, raras vezes foi, como agora, um acto de febril magia, uma fuga parar a frente, um tocar de universos ambíguos e dúcteis nos quais se organiza o caos, se freia a mão e se medita a cor da harmonia, Só então o espaço se divide sem compartimentações estanques, no gerar de sucessivos equilíbrios, na exaltação da luz, na procura de uma fluidez que nos surge, límpida, caligraficamente definida e plena de uma rara monumentalidade Maria João Franco merece destaque no contexto da nossa Arte Actual,
Edgardo Xavier
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quinta-feira, agosto 16, 2007

PRODUÇÃO de objectos / produção ARTÍSTICA


É uma das características do homem a produção de objectos e na sua factura intervêm componentes de ordem vária que decorrem de intenções diferenciadas.
A função de cada um dos objectos produzidos está em estreita ligação com a satisfação de fenómenos de necessidade. Mas há um momento de satisfação não necessária que ultrapassa o sistema de necessidades elementares. A produção de objectos com arte é a primeira fase de ultrapassagem do sistema de necessidades primário.
O objecto – por vezes estético – (por vezes ético) é ultrapassado na sua intenção com o decorrer do tempo e surge um significado-outro, desligando-o do referente (real ou imaginário) que lhe estava na base. No fundo, quando o objecto perde função imediata, torna-se objecto de contemplação e surge como obra de arte, quando ele não representa, de facto, e antes de mais, um determinado estádio de evolução do homem, não no sentido plástico, mas no sentido de relação homem-natureza.
O que acontece é que os objectos que perderam função são hoje sublimados, no sentido de se situarem de se situarem no plano de organizações sígnicas representativas de estádios de civilização diferentes: é sempre sinal da passagem do homem sobre o mundo e da sua vitória sobre os materiais, no sentido em que os domina e lhes dá forma.
E é só nesse sentido que podemos dizer que tudo o que o homem faz tem um carácter estético.
O homem, na sua necessidade natural, como ser gregário, e, individualmente, como ser dominador, manipulador, tende a dar forma a todas as suas acções. É nessa tendência que está implícita uma estética – e dela surgirá porventura o fenómeno artístico ou para-artístico
Os vários conceitos de arte estiveram sempre dependentes do binómio “forma-função”.
Na medida em que a função se vai sobrepondo à forma criam-se objectos estéticos – as sub-categorias de objectos – que ao abrirem um novo espaço formal tentaram introduzir-se no campo da arte. O pressuposto estético fica aquém do artístico e a apologia da norma e do funcional
Torna-se perfeitamente apologética, como consequência daquilo que lhe falta: a dinâmica poética.
A obra de arte não resulta de conceitos estéticos, mas da própria vida: justifica-se a si própria na sua capacidade ambivalente de a assimilar e projectar.
Contudo, a capacidade expressiva de um objecto não e forçosamente índice de fenómeno artístico. Ela surge muitas vezes por empatia perceptual imposta por ditaduras de gosto. Por isso a arte favorece o diletantismo “estético” e o snobismo cultural. E os seus agentes na sua anciã de auto promoção subsidiam intelectualmente e não só a produção maciça de objectos para – estéticos. O fenómeno artístico esta mais ligado ao que esta subjacente ou supra jacente a fisicidade do objecto. E esta aqui o fulcro do problema: o fenómeno artístico surge quando, a partir de uma concepção e uma determinada execução de técnica se introduz no mundo um mundo que nele não existia. O artista não enfeita a sociedade, antes a completa, e essa complementaridade, se incomoda, tanto melhor…



Confrontamo-nos hoje, com efeito, com uma crise que em si, e por sua vez, se confronta com a ideia de que o saber manipular os materiais é sinal de estatuto artisticamente inferior. Corresponde socialmente a uma atitude de desprezo pelo trabalho manual assumido como saber.
Certas correntes actuais, bastante na linha deste pensamento, contradizem-se, na medida em que consideram já o objecto artístico o simples acto do fazer (puro acto lúdico), desprezando a partida o acto de dominar o fazer, em função do conceber. Não se trata de trabalho, mas de simples imitação de trabalho. O truque só é eficaz enquanto esconde o artifício. A displicência da factura e o desprezo acintoso pela estrutura artificializa esta, na medida em que a transforma de suporte da imagem em imagem em si mesma. Ao simular como autentica a atitude, o objecto concretiza-a, mas esvazia-se como finalidade artística.
Este esteticismo apriorístico e normativo que contraditoriamente se apresenta como anti-norma, funcionaliza o objecto tornando-o ilustrativo da teoria e da moda, retira-lhe finalidade intemporal, torna-se simples exemplo de uma teorização estética, mas afasta-o da arte, pois que a obra de arte, enquanto produto humano não pode, não deve tornar-se simplesmente imitação de si própria.
Se a arte começou por reflectir uma tentativa de o homem dominar a Natureza, imitando a sua vitória, caminhou para a imitação da Ideia, para a imitação da Natureza ou como processo representacional de imitação do homem, passando inclusivamente pela representação da sua realidade interior.
Sob pressão d estéticas normativas algumas correntes actuais tentam a imitação do fazer: no fundo, assistimos a casos em que os artistas se limitam obsessivamente a imitarem-se a si próprios. E isto porque os valores de mercado, a assinatura tornada objecto de consumo como sinal de troca valor-signo de estatuto social, as conexões estabelecidas a partir de relações confusas entre os conceitos de objecto estético e objecto artístico, a indefinição falaciosa com que a crítica de arte mal autorizada faz eleger a “objecto de arte” uma qualquer moda ditada pelas associações internacionais de críticos, faz com que a história da arte hoje corra o risco de ser a história dos êxitos fracassados a curto prazo. Muitas das obras actuais serão, com toda a certeza encaradas no futuro como “cheques sem cobertura”,
O objecto artístico contemporâneo é hoje extremamente difícil de definir, de tal modo o conceito de “arte” tem sido alargado e empobrecido. Digamos antes que de conceito se passou “pré-conceitos”. Parece haver aqui uma contradição; mas se considerarmos que o pré-conceito se baseia em falsos valores, eles próprios não autorizam a formulação de qualquer espécie de conceito,
Pois até o conceito de “conceito” não existe, porque não há critério que defina o campo em que determinado objecto se coloca e se oferece à análise.
Será o entendimento do fenómeno artístico que limpará o terreno e definirá o que é arte hoje.
Mas antes haverá que estabelecer uma deontologia da critica do nosso tempo.

Lisboa, Julho 1987 Maria João Franco

quarta-feira, agosto 15, 2007

“RECADO DE AMIGO” __________________________________________________

No percurso da vida de cada um de nós acontecem encontros com pessoas que, pela nobreza do seu carácter e sensibilidade não só nos encantam mas também nos deixam presos ao coração.
A Maria João Franco foi um desses encontros felizes, de imediato enriquecido com a Amizade que se alicerçou na verdade de cada um de nós, porque nascida da alma logo encontrou eco no tempo.
Os dias passados são como séculos de relacionamento profundamente humano de quem conscientemente faz da vida poema e do seu próximo, altar de fraternidade.
Ao ver a obra de Maria João Franco fiquei de imediato rendido pela sua surpreendente mestria não só técnica como de criadora extraordinária e pensei como seria difícil chegar até Ela e tornar realidade o sonho de a expor no MAC !!!
Surpresa das surpresas !!! a Maria João era afinal de uma simplicidade incrível e de imediato aceitou presentear-nos com o seu enorme talento e assim ficou a pertencer à família maquiana (MAC).
Adjectivar o seu talento, porém, não é fácil porque misturando-se na policromia dos seus sábios nus, Ela retrata-se perfeitamente na arte; agarra as “coisas” e mesmo antes destas serem “coisas” passadas à tela, são inteligência no monólogo experimentado da razão imaginativa, vestida de amor, uma viagem interior, continuando em dias, anos, com lágrimas e risos contracenando no palco da vida.
Só depois nascem, das suas mãos hábeis, as telas (autênticas preciosidades) que ao serem vistas, valorizam olhares estupefactos e rendidos pelo engenho de quem nasceu para amar fortemente .
Ter como Amiga a Maria João Franco é a certeza de que as madrugadas de esperança se sucedem umas ás outras, porque, aberta a porta do seu coração, espera sempre pelos amigos, em qualquer rua, em qualquer dia, a qualquer hora.
Por tudo, obrigado Maria João e parabéns porque a arte contigo ganha força – é mensagem inconfundível.


Sempre amigo

Álvaro Lobato de Faria
Agosto 2007