pintura

sábado, abril 19, 2008

"tu não aconteces, quando eu te quero"

CONVITE



Na sequência da exposição que esteve patente o Museu da Água,


vai ter lugar no


MAC-Movimento Arte Contemporânea,


e dentro do mesmo projecto


"tu não aconteces, quando eu te quero"


com inauguração a 6 de Maio de 2008, pelas 19 horas.


A mostra estará patente ao público até 30 de Maio,


de segunda a sexta,das 13 às 20 horas,


sábados,das 15 às 19 horas .


Domingos e feriados,por marcação tm::962760532





Em continuação do projecto apresentado no Museu da Água, em Lisboa


Maria João Franco


vai inaugurar no


MAC


Movimento Arte Contemporânea


nova mostra , com novas obras,
subordinada ao mesmo tema,


"tu não aconteces quando eu te quero"


no dia 6 de Maio de 2008
pelas 19 horas.



A mostra estará patente nos dois espaços MAC até 30 de Maio de 2008


::
Rua do Sol ao Rato, 9C
1250-207 Lisboa
Tel./fax 21 385 07 89
tm: 96 267 05 32
::
Av. Álvares Cabral 58-60
1250-072 Lisboa
Tel: 21 386 72 15
Tm: 96 267 05 32


::
horário: segunda a sexta das 13 às 20 horas,
aos sábados das 15 às 19 horas
e Domingos e feriados por marcação
tm: 96 267 05 32.
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Maria João Franco
Nasceu em Leiria em 1945. Tem o curso de Pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa.Frequentou o curso de Arquitectura de Belas Artes do Porto.Comenda e Medalha de Mérito e Cultura atribuído pela Associação de Artistas Plásticos e Desenho Brasileiros.Desde 1982, participou em várias exposições colectivas e, a partir de 1985, realizou diversas exposições individuais quer em Portugal quer no estrangeiro.Em 1997 executou um cartão de tapeçaria para Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, cujo 1º exemplar faz parte do acervo do Sr. Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.Fez parte do júri do concurso “32 Jovens Pintores” com o Alto patrocínio da Presidência da República Portuguesa integrado nas Comemorações do 10 de Junho de 2000-Dia de Portugal.Trabalha como artista convidada em cerâmica artística na Keramos – Condeixa.Convidada pela Foundation for the Support of Monestery Bentlage para participar noInternational Summer Workshop em Rheine – Alemanha Agosto 2005.Em 2005 executa um painel alusivo a “O Motim” de Miguel Franco inserido no Teatro Miguel Franco em Leiria.Funda em 2006 o jornal on-line “Casamarela5b & ARTS” em homenagem ao Pintor Nelson Dias. www.casamarela5b.blogspot.com
Está em estreita colaboração com as actividades culturais e artísticas do MAC-Movimento Arte Contemporânea, Lisboa.
Prémios:1987 – Prémio de edição na “IV Exposição Nacional de Gravura” – Gravura/Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; / 1º Prémio do concurso de Gravura Integrado no Ano Europeu do Ambiente - Setúbal/Beauvais; /2006- Prémio MAC’2006 Carreira – MAC Movimento Arte Contemporânea – Lisboa; /2007- Premio MAC’2007 Prestígio – MAC- Movimento Arte Contemporânea – Lisboa; /Representações:Está representada nas seguintes instituições: Museu de Setúbal; Cooperativa dos Gravadores Portugueses, Gravura em Lisboa; Colecção da Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; Museu Armindo Teixeira Lopes, Mirandela; acervo da C.M. Lisboa, Coimbra, Amadora e Abrantes; colecções particulares em Portugal, Itália, Espanha, França, Suíça, Brasil, EUA e Holanda.
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texto do catálogo
Ao longo de quarenta anos de carreira, Maria João Franco, tem vindo a ser uma intransigente pesquisadora de verdades e de liberdades interiores, não cessando de se transformar – mantendo-se, no essencial, fiel a si mesma.Maria João Franco perfaz o contorno, realiza o movimento, concretiza a ideia num imaginário pictórico único que lhe atribui um lugar marcante nas artes plásticas portuguesas.A sua arte tem uma estreita relação com o corpo, com o corpo das coisas, com a ideia primeira de matéria mater, que refaz incessantemente numa busca interminável, como se procurasse o princípio e o fim de um todo que sente ser o nosso, mas, na sua pesquisa, anseia sempre por um fim ou princípio outro.Aqui assenta toda a diversidade da sua obra em que o fio condutor submerge e emerge, consentindo e confirmando toda a sua versatilidade como artista plástica, como criativa e autora.No envolvimento cálido e terno nas pinturas que figuram a nossa condição, e que confere harmonia e beleza à trivialidade do quotidiano, sabe-se a vontade e o modo de subtrair riqueza plástica a um seu muito pessoal universo imagético.O grafismo, aqui afirmado como elemento estilístico, afirma a autonomia da cor, que polariza e atrai a fluidez antropomórfica das formas, é na sua obra de uma importância fundamental.Fala-nos pela incidência da cor que transporta e assume o papel de interlocutor entre a obra e o espectador.Estamos agora perante uma artista sem hesitações, de um saber constante e ritmado, onde cada tomada de consciência nos abre o caminho para o seu mundo multidisciplinar, onde cada gesto tem o sabor de uma certeza.A arte de Maria João Franco, extraordinariamente sensível na fluidez da linguagem das formas, na vigorosa materialidade da cor, na força e no encanto da sua evasão e do seu êxtase, é uma fascinante e esplêndida aventura espiritual e técnica.As suas obras, são pois materialização de anseios e de sonhos, notas de realce, na Pintura Portuguesa Contemporânea.A devoção e o grande profissionalismo, a continuidade e o grande empenho que Maria João Franco nos transmite nas suas obras, revelam-nos estar perante uma grande pintora e uma excelente artista, reconhecida não só em Portugal como internacionalmenteEm “tu não aconteces, quando eu te quero” título da exposição que agora nos apresenta, mostra-nos a sua constante evolução, a sua busca sem fadiga, a qualidade intranquila da sua poética, que faz de cada momento uma reencarnação imprevisível, nova uma conquista, um constante enriquecimento.O vigor e qualidade do conjunto destas obras fará, com toda a certeza, que ele ocupe um significativo lugar na excelente pintura que Maria João Franco vem construindo e a que já nos habituou, confirmando o grande talento e sobretudo a surpreendente qualidade técnica e criativa desta grande artista das artes plásticas do nosso país.


Álvaro Lobato de Faria


Director Coordenador do MAC-Movimento Arte Contemporânea


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press release


tu não aconteces, quando eu te queronão falas ainda, quando eu te escuto.tu não dizes, quanto eu te encontro.Tempos passados de saber sentidoTempos esquecidos de saber sofridoNão sabes ainda quanto eu te entendo.Numa pesquisa, aliada a uma auto reflexão constante do ser/estar criado e recriado, ainda que numa atmosfera imersa, paradigma de todas as realizações encontradas, e não…Que o título da exposição: “tu não aconteces, quando eu te quero” denuncia já a busca incessante do encontro efectivo e afectivo com a “coisa” /”pessoa” amada.O universo plástico em que me situo denuncia-se pelo equívoco meio das ilusões em que as leituras várias se sobrepõem deixando ao espectador o disfarce amplo para as múltiplas e constantes leituras.“tu não dizes, quanto eu te encontro” negação aparente de diálogo com a ”coisa” em que o “quanto” nega ainda o dar a conhecer a infinidade das possibilidades dele mesmo.“não sabes ainda quanto eu te entendo” é o passo anunciado para a próxima realização em que o acto está já contido no “tu não te encontras, quando eu te quero” ,impossibilidade de simultaneidade de actos e realizações de ser e estar afectivo e efectivo.Poema/projecto de formalização autobiográfica e plástica, “tu não aconteces, quando eu te quero” tem agora lugar no MAC-Movimento Arte Contemporânea a 6 de maio de 2008 .


Maria João Franco


Lisboa, Abril/2008

quinta-feira, abril 17, 2008

Açoriano Oriental_Entrevista por Margarida Neves Pereira



MARIA JOÃO FRANCO – PINTORA E POETA

TU NÃO ACONTECES, QUANDO EU TE QUERO

Quando a olhamos pela primeira vez, apercebemo-nos de imediato que estamos perante uma alma feminina marcada. Não de uma forma azeda, como tantas mulheres que se afundam nas suas impotências ou incapacidades, mas de uma forma profunda e reflexiva, de uma forma emotiva, humana e silenciosa.
Maria João Franco, esteve recentemente nos Açores, e o seu encanto foi imediato, brevemente irá voltar para cá expor. Ao contrário da maioria dos artistas, tem o dom da palavra e o seu tom de voz grave funciona como um fio condutor, que transporta cada uma das suas palavras, ao local do córtex devido. Porquê essa diferença acentuada em relação à maioria dos artistas plásticos? Resposta enganadoramente simples – trata-se duma pintora poetisa.
A sua exposição “Tu Não Aconteces, Quando Eu Te Quero” está patente no Museu da Água é, como não poderia deixar de ser um misto líquido entre a poesia e a pintura –

“tu não aconteces, quando eu te quero,
Não falas ainda, quando eu te escuto,
Tu não dizes, quando eu te encontro,

Tempos passados de saber sentido,
Tempos esquecidos de saber sofrido
Não sabes ainda quanto eu te entendo”

“Ao longo de quarenta anos de carreira, Maria João Franco tem vindo a ser uma intransigente pesquisadora de verdades e de liberdades interiores, não cessando de se transformar, mantendo-se, no essencial, fiel a si mesma.” Quem o diz é Álvaro Lobato de Faria, director do MAC – Movimento de Arte Contemporânea ao qual a artista aderiu em 2006, com a exposição “Mulher e Eu”, tendo na altura lhe sido atribuído por este Movimento o Prémio Carreira “MAC´2006”.
Iniciou-se a “sério” nas artes plásticas muito cedo, com 15 anos já frequentava cursos de Artes plásticas. Muito influenciada por uma família cujo universo considera “mágico”, com enfoque especial em seu pai – Miguel Franco – reconhecidamente um dos dramaturgos mais importantes da década de setenta em Portugal, pela natureza histórica da sua obra que se confronta então com o espírito do “regime”, e pelo seu marido, Nelson Dias, Professor de Desenho e de Pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa, artista que deixou uma inestimável obra de qualidade plástica e uma outra criação na área da banda desenhada, que faz igualmente parte da história de Portugal de Banda Desenhada, também relativa à década de setenta. Dois homens que a marcaram profundamente, quer no plano afectivo, no espaço que naturalmente cada um ocupa, quer no seu desempenho artístico, quer na sua consciência social e postura perante a vida e a morte. E como o sofrimento é o alimento do artista, cada título de cada exposição de Maria João Franco é em si, arte: “A Terra dos Mitos”“ O amanhecer da memória”, “Um olhar de Pele”, "Estórias do Corpo"."Tempo de o Senso e o Ser " “Lírica do nu entre Sombras”, "tu vens tão perto...que a distância existe" e poderíamos continuar, porque as exposições foram muitas, estando certos porém que com apenas os seus títulos temáticos, este texto se embelezaria.


“amo-te
e os fumos do último atentado ainda não aconteceram
amo-te
e a luz que nos ilumina
não nasceu ainda
amo-te, amo-te
é a chave do esconderijo
dos meus sonhos
e a palavra
a senha
para entrar de novo
no meu canto de hino
de novo
a alegria.”


Esta sua notável sensibilidade, realça uma honestidade nas palavras a que não podemos ser indiferentes. É com a mesma honestidade e frontalidade que fala sobre aqueles que considera “ graves problemas” que afectam a cultura Portuguesa e mais particularmente as artes plásticas. “Um dos maiores problemas que os artistas têm que enfrentar são os “lobbys” das galerias. “A maioria das galerias está exclusivamente vocacionada para vender quadros, e só por esse prisma enaltecem e promovem os ´seus` artistas. Fecham o círculo, apertando-o em torno de um número reduzido de pessoas, algumas efectivamente com qualidade, outras talvez nem tanto, mas assim, fecham-se portas e veta-se à ignorância artistas importantes, por vezes geniais, porque não se encaixam nesse circuito, ou porque estão demasiado embrenhados a produzir obras, ou porque simplesmente não se encaixam”. E continua – isto é muito grave, porque à sombra desta mecânica se vetam ao desconhecimento valores emergentes, mas também ao esquecimento valores reconhecidos e inequivocamente valiosos para a identidade cultural deste povo.”
Esta frontalidade, como anteriormente demos a entender nasce com a sua convivência familiar. Tal como se lê na sua biografia -“Uma forte ligação triangular "Miguel Franco - Maria João Franco - Nelson Dias " desencadeia no espírito ainda jovem de Maria João Franco o seu sentido de busca, de procura e de pesquisa.
Fortemente marcada pelo "expressionismo abstracto" Maria João Franco segue na senda de Nelson Dias a tendência expressionista quer na abstracção, quer na sua passagem para a figuração.Sentindo como fortes expoentes da pintura portuguesa Rocha de Sousa, Gil Teixeira Lopes, Artur Bual, Luís Dourdil, Júlio Pomar, Resende bebe neles a influência tendo em mira o extravasar de uma pintura de emoções contidas num expressionismo lírico de uma sensualidade quase "aquática" ou meramente fluida que adquire os tons da tragédia atlântica nas suas vagas de tombar profundo.
A gravura é outra das suas paixões. Mas a esse respeito, a várias vezes premiada (em 1987 o 1º Prémio de Gravura no concurso de gravura integrado nas comemorações do Ano Internacional do Ambiente Setúbal/Beauvais. Ainda em 97 tem o Prémio de Edição na "IV Exposição Nacional de Gravura" Cooperativa de Gravadores Portugueses / Fundação Calouste Gulbenkian – Lisboa) Maria João Franco denuncia a desvalorização e a recusa da maioria das Galerias em aceitar expor gravuras. “A razão prende-se com o facto da gravura ser mais acessível no preço em relação à pintura a óleo, acrílico ou qualquer outro material. A maioria das galerias teme que o mercado se habitue a adquirir gravuras em detrimento das outras obras que obviamente são mais proveitosas do ponto de vista financeiro.”
Contudo, esta artista plástica reconhece não ser este o único problema “a reprodução indevida, em série de gravuras – uma desonestidade – transformam as obras em algo que não era suposto – um produto reproduzível e logo menos valioso. Quando se produz gravuras, as chapas devem ser eliminadas – isso nem sempre acontece.”
Quanto ao estado mais geral da cultura em Portugal, é clara a sua posição “ sem cultura não há identidade, e é frágil o apoio, o reconhecimento dos artistas plásticos, e não só, neste país. Muitos, passaram grandes dificuldades, mesmo aqueles que viram o seu talento reconhecido. O que é uma injustiça dolorosa.”
Recapitulando – a dor alimenta a alma do artista
A Mãe”Estou triste. O sofrimento enegrece-me a alma. Se eu o pudesse abraçar e passar para mim um pouco de tanta tortura. Como o amor de mãe pode tornar-se em tanta angústia. Já foi. A leveza da criança loira a correr pelo jardim. Já foi o calor morno do colo da mãe. Ainda Maio. E a morte ronda a Mãe. O colo já não é morno. O peito já não é terno. A mãe morre devagar e ainda é Maio e o meu amigo sofre. Quanto do amor, quanto da ternura quanto das memórias lhe guarda o corpo. E ainda é Maio...”
Maria João Franco

entrevista por Margarida Neves Pereira para Açoriano Oriental
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Ser assim amada em cais incerto

Naufraga de amor em cais perdido.

Amor de tão loge e sem maré.

Que o Mar Abrange os esquecidos,

impossíveis de ter em cada instante.

Longe do estar em cada cais.

Longe do Mar em cada Sol ausente.

Maria João Franco

abril/2008
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AO on line
AO – on-line/Regional 2008-04-18 19:37///Tu não aconteces quando eu te quero

Quando a olhamos pela primeira vez, apercebemo-nos de imediato que estamos perante uma alma feminina marcada.
Não de uma forma azeda, como tantas mulheres que se afundam nas suas impotências ou incapacidades, mas de uma forma profunda e reflexiva, de uma forma emotiva, humana e silenciosa. Maria João Franco esteve recentemente nos Açores e o seu encanto foi imediato; brevemente irá voltar cá para expor. Ao contrário da maioria dos artistas, tem o dom da palavra e o seu tom de voz grave funciona como um fio condutor que transporta cada uma das suas palavras ao local do córtex devido. E porquê essa diferença acentuada em relação à maioria dos artistas plásticos? Resposta enganadoramente simples - trata-se duma pintora poetisa.A sua exposição "Tu Não Aconteces Quando Eu Te Quero" está patente no Museu da Água até ao dia 19 de Abril e é, como não poderia deixar de ser, um misto líquido entre a poesia e a pintura.“Tu não aconteces, quando eu te quero, Não falas ainda, quando eu te escuto, Tu não dizes, quando eu te encontro, Tempos passados de saber sentido, Tempos esquecidos de saber sofrido. Não sabes ainda quanto eu te entendo”.Ao longo de quarenta anos de carreira, “Maria João Franco tem vindo a ser uma intransigente pesquisadora de verdades e de liberdades interiores, não cessando de se transformar, mantendo-se, no essencial, fiel a si mesma”. Quem o diz é Álvaro Lobato de Faria, director do MAC - Movimento de Arte Contemporânea, ao qual a artista aderiu em 2006, com a exposição "Mulher e Eu", tendo na altura lhe sido atribuído por este Movimento o Prémio Carreira "MAC 2006".Iniciou-se a "sério" nas artes plásticas muito cedo: com 15 anos já frequentava cursos de artes plásticas. Muito influenciada por uma família cujo universo considera "mágico", com enfoque especial no seu pai - Miguel Franco - reconhecidamente um dos dramaturgos mais importantes da década de setenta em Portugal, pela natureza histórica da sua obra, que se confronta com o espírito do "regime", e pelo seu marido, Nelson Dias, professor de Desenho e de Pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa, artista que deixou uma inestimável obra de qualidade plástica e uma outra criação na área da banda desenhada, que faz igualmente parte da história de Portugal de Banda Desenhada, também relativa à década de setenta. Dois homens que a marcaram profundamente, quer no plano afectivo, quer no seu desempenho artístico, quer na sua consciência social e postura perante a vida e a morte. E como o sofrimento é o alimento do artista, até cada título de cada exposição desta artista é, em si, arte: "A Terra dos Mitos", "O Amanhecer da Memória"; "Um Olhar de Pele"; "Lírica do Nu entre Sombras"; "Tu vens tão perto...que a distância existe" e poderíamos continuar, porque as exposições foram muitas, estando certos porém de que com apenas os seus títulos este texto se embelezaria.O lobby das Galerias condena muitos artistas“amo-tee os fumos do último atentadoainda não aconteceramamo-tee a luz que nos iluminanão nasceu aindaamo-te, amo-teé a chave do esconderijodos meus sonhose a palavraa senhapara entrar de novono meu canto de hinode novoa alegria.”Esta sua notável sensibilidade realça uma honestidade nas palavras a que não podemos ser indiferentes. É com a mesma honestidade e frontalidade que fala sobre aqueles que considera " graves problemas" que afectam a cultura Portuguesa e mais particularmente as artes plásticas. "Um dos maiores problemas que os artistas têm que enfrentar são os "lobbies" das galerias. "A maioria das galerias está exclusivamente vocacionada para vender quadros, e só por esse prisma enaltecem e promovem os ‘seus’ artistas. Fecham o círculo, apertando-o em torno de um número reduzido de pessoas, algumas efectivamente com qualidade, outras talvez nem tanto, mas assim fecham-se portas e veta-se à ignorância artistas importantes, por vezes geniais, porque não se encaixam nesse circuito ou porque estão demasiado embrenhados a produzir obras, ou porque simplesmente não se encaixam". E continua - isto é muito grave, porque à sombra desta mecânica se vetam ao desconhecimento valores emergentes, mas também ao esquecimento valores reconhecidos e inequivocamente valiosos para a identidade cultural deste povo."Tal como se lê na sua biografia -"Uma forte ligação triangular "Miguel Franco - Maria João Franco - Nelson Dias " desencadeia no espírito ainda jovem de Maria João Franco o seu sentido de busca, de procura e de pesquisa.Fortemente marcada pelo "expressionismo abstracto", Maria João Franco segue na senda de Nelson Dias a tendência expressionista, quer na abstracção, quer na sua passagem para a figuração.Sentindo como fortes expoentes da pintura portuguesa Rocha de Sousa, Gil Teixeira Lopes, Artur Bual, Luís Dourdil, Júlio Pomar, Resende bebe neles a influência tendo em mira o extravasar de uma pintura de emoções contidas num expressionismo lírico de uma sensualidade quase "aquática" ou meramente fluida que adquire os tons da tragédia atlântica nas suas vagas de tombar profundo .A gravura é outra das suas paixões. Mas a esse respeito, a várias vezes premiada (em 1987 o 1º Prémio de Gravura no concurso de gravura integrado nas comemorações do Ano Internacional do Ambiente Setúbal/Beauvais. Ainda em 97 tem o Prémio de Edição na "IV Exposição Nacional de Gravura" Cooperativa de Gravadores Portugueses / Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa) Maria João Franco denuncia a desvalorização e a recusa da maioria das Galerias em aceitar expor gravuras. "A razão prende-se com o facto da gravura ser mais acessível no preço em relação à pintura a óleo, acrílico ou qualquer outro material. A maioria das galerias teme que o mercado se habitue a adquirir gravuras em detrimento das outras obras que obviamente são mais proveitosas do ponto de vista financeiro."Contudo, esta artista plástica reconhece não ser este o único problema, "a reprodução indevida, em série de gravuras - uma desonestidade - transformam as obras em algo que não era suposto - um produto reproduzível, logo, menos valioso. Quando se produz gravuras, as chapas devem ser eliminadas - isso nem sempre acontece. “Quanto ao estado mais geral da cultura em Portugal, é clara a sua posição": sem cultura não há identidade e é frágil o apoio, o reconhecimento dos artistas plásticos, e não só, neste país. Muitos passaram grandes dificuldades, mesmo aqueles que viram o seu talento reconhecido.O que é uma injustiça dolorosa."Recapitulando - a dor alimenta a alma do artista :A Mãe“Estou triste. O sofrimento enegrece-me a alma. Se eu o pudesse abraçar e passar para mim um pouco de tanta tortura. Como o amor de Mãe pode tornar-se em tanta angústia. Já foi. A leveza da criança loira a correr pelo jardim. Já foi o calor morno do colo da Mãe. Ainda Maio. E a morte ronda a Mãe. O colo já não é morno. O peito já não é terno. A Mãe morre devagar e ainda é Maio e o meu amigo sofre. Quanto do amor, quanto da ternura quanto das memórias lhe guarda o corpo. E ainda é Maio...”
Maria João Franco
MARGARIDA NEVES PEREIRA

domingo, abril 13, 2008

as coisas que nunca te direi


Sinto o gosto do teu saber amar
Sinto o cheiro do teu saber olhar
Sinto o amor das minhas ilusões

Sei que foges deste mar ausente
Sei quanto nele estás presente
Sei, também, que podes
não saber nele estar.


14 de Março de 08
Maria João Franco

segunda-feira, abril 07, 2008

E os fumos do último atentado ainda não aconteceram...




Amo-te


e os fumos do último atentado


ainda não aconteceram




Amo-te


e a luz que nos alumia


não nasceu ainda




Amo-te


é a senha para entrar na rua dos meus sonhos


que me encontram ao acordar




a palavra e a senha, de novo


e para um novo


hino à alegria.




Maria João Franco


2008