pintura

sexta-feira, janeiro 17, 2014

O MOTIM na CASA DO INFANTE ||| as obras






sentença da alçada


no name


no name



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condenados

pormenor

cristo para o altar de todos os espantos

condenado 2

pormenor


condenado 1



painel de "morte da Estrelada"



monólogo urgente da memória
esboço para todas as preces
morte da Estrelada







A cidade, também ela condenada,
 suportou pesadas penas que se
traduziram em largos meses de sofrimento,
 uma vez que, para que ficasse de exemplo a todos os que ousassem opor-se à vontade de Sebastião José deCarvalho e Melo,

foi ordenado que se expusessem as cabeças decepadas e os corpos esquartejados dos enforcados por toda a cidade, mas, muito principalmente, nas ruas onde se julgava ter tido início o “motim”.

Algum tempo depois, e por questões de saúde pública, transferiram-se os mastros para as entradas da cidade onde ficariam durante todo o inverno. Também durante cinco longos meses a população mais desfavorecida teve de dar aboletamento a cerca de 2.300 homens dos batalhões deslocados para a cidade, com todos
os prejuízos que daí advinham…(…)
in Do “real” ao “ficcional”: O motim de Miguel Franco
From “real” to the “fictional”: O motim by Miguel Franco
Graça Maria Teixeira doutourada em línguas pela Universidade Aberta/ Lisboa


prisioneiro



carrasco


o motim ( instalação) em colaboração com Pinto Pereira






A exposição estará presente até 23 de fevereiro de 2014 na CASA DO INFANTE .PORTO

terça-feira, janeiro 14, 2014

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO _O MOTIM_ NA CASA DO INFANTE- PORTO












Arq. Pinto Pereira com o actor António Reis

Arq. Pinto Pereira com o actor António Reis

Arq. Pinto Pereira com António Santos


Actor António Reis




Pintor Henrique Pichel e Helena Ribeiro Pinto


Actor Rui Oliveira e Actor António Reis














































Artur Moreira com Maria João Franco

Maria João Franco com António Reis

cópia do original da Sentença da Alçada
descrevendo as condenações várias 1787


A ARTE PERANTE A AMOTINAÇÃO

A razão de tudo o que formatou em boa parte a peça de teatro O MOTIM, vem das queixas contra as liberdades individuais na venda de um decisivo produto local, o vinho. Proprietários e gananciosos da centralização, das matérias e do seu comércio, conquistaram, sob o manto doloso dos políticos
A Companhia Geral da Agricultura das Vinhas — pela qual se encerram tascas e bebedores, lugares da convivialidade comunitária, corte laminar numa concepção de solidária do viver repartido nas distâncias e nas proximidades. E um dia, entre os murmúrios de dentes cerrados, uma revolta se congemina: e assim o povo invade as ruas, amotinado, grandes e pequenos lances contra a Companhia. A alegria espalha-se na aparente reconquista de um comércio distribuído em rotinas seculares e no júbilo do próprio risco. Só que o levantamento foi abafado, com as devidas orientações quanto ao julgamento e a exemplares castigos. Houve uma enorme concentração de poderes nas mãos cruéis do escrivão José Mascarenhas, filho do presidente do tribunal, João Pacheco Pereira Vasconcelos. Alguns acusados do motim são interrogados com brutalidade e mesmo sob tortura. E o processo arrasa quase tudo o que passa sob um tribunal insano, condenados aguardando a execução, o morte, o fim, tudo num clima lúgubre e funesto.
No outro dia torna-se imperativo abrir o tempo de nojo e continuar uma longa, quase intemporal, força de resistência. Mas esta verdade histórica, em parte ficcionada como metáfora sobre as condições sociais da vida humana, havia sido instaurada em peça de teatro, o MOTIM, de Miguel Franco. Termina nas brumas que baixam sobre todas as tragédias e, desta fez, com uma espécie de aforismo ou proclamação resistente: «Um homem sem medo não morre».

As artes pertencem todas à mesma raiz da natureza humana, existência e espírito, podem sempre relacionar-se da diferença à semelhança, entre o que a memória transfere para a palavra ou para a imagem, no tempo suspenso da pintura ou na percepção conduzida pela duração representativa, através  do teatro, da música ou do cinema. Maria João Franco, abordando pela forma plástica certo ideia expressiva, dolorosa, da peça O Motim, corre em tortura a demora e o sentido de uma mensagem poderosa no superior risco de plasmar sobre a tela, sem qualquer obviedade ilustrativa, o supremo delírio das máscaras inertes, presas fora do tempo mas levando cada mensagem pictórica, num grito expressionista e lírico, para lá dos muros ou dos longos olhares narrativos: porque os factos e as personagens que ela manipula, na derradeira tragédia das condenações, sob a iniquidade do poder espúrio, engloba a beleza de personagens na linha do protoplasma, antes e depois de serem, na revolta e na dor, gente viva. Numa encenação sacra e poderosa, as telas encerram e desvendam, por cada contemplação nossa, passos da terrível sentença da Alçada no impúdico desfecho pela morte iníqua, entre carrascos mumificados e gritos de almas a sangrar. Não é apenas uma performance plástica, sob tutela teatral, é sobretudo a marca das sensações que atravessaram este outro lado da criação, a mancha, a sombra, a transparência, o mundo humano em denegação, suspenso parietalmente, como em crucificação, de súbito num silêncio de pedra, mortal e acusador.

ROCHA DE SOUSA



Colaboraram neste evento
António Reis ( Seiva Trupe) - actor
Arq. António José Pinto Pereira - instalações e montagem
Prof Rocha de Sousa - texto introdutório
Dra. Graça Teixeira - documentação
Rui Oliveira (actor) - documentação
António Santos - tatuador - instalações
Paulo Cruz -projecções e som.