pintura

sexta-feira, outubro 26, 2007

"planeta dos macacos"








OS POETAS


ESSES SERES TANGENTES


TOCAM A VIDA


E SONHAM TÃO PERTO


QUE LHES PARECE VIDA;




SONHAM TÃO PERTO


QUE O SUOR DO ROSTO


LHES ENFEITA O MAR


DE ESTRELAS,


RAIVA


E SOLIDÃO.

Maria João Franco
Lisboa Agosto 2007-09-01

terça-feira, outubro 09, 2007



A jangada ancorada no meu peito

partiu

e eu quero ainda

viver mais perto

Pássaro Liberto!

Ai sonhos do meu desespero:

Estou aqui!

Maria João Franco_lisboa_2005

Original Message ----- From: "Maria João Franco"

Shirley,boa noite!

Estamos verdadeiramente atarefados com a exposição de meu falecido marido,que foi um dos maiores pintores portugueses.Agradeço-lhe que comente,como grande letrada que é, caso lhe agrade e tenha tempo, o texto/tese que ele escreveu .

Um beijo

Maria João
__________


Querida Maria João,

Farei isso com o maior prazer. Obrigada pelo privilégio de ler o texto de um artista tão admirado. Tão logo eu tenha terminado o meu comentário, enviá-lo-ei.Aliás, a tua poesia também é lindíssima. Pretendo incluí-la em um artigo que estou a escrever sobre poesia contemporânea.

Beijos carinhosos

Shirley

Sent: Sunday, September 30, 2007 5:08 PM

Subject: texto Nelson Dias>

Shirley,

boa noite!

Estamos verdadeiramente atarefados com a exposição de meu falecido marido,que foi um dos maiores pintores portugueses. Agradeço-lhe que comente, caso lhe agrade e tenha tempo, o texto/tese que ele escreveu para a prova de agregação como catedrático na FBA-UL .

Um beijo

Maria João


_ Para uma indefinição da arte

Toda a pesquisa tem obrigação de pressupor qual o seu objecto e o que, pelo menos, sumariamente ele é, e de optar por um método que, pelas provas de eficácia já dadas permita progredir no conhecimento do que ele é. Mas o objecto estético, nascido do livre jogo da imaginação, livre até ao arbitrário e que, além de poder dispor de todas as riquezas da natureza ainda pode tirar partido do seu próprio fundo, apresenta-se-nos sempre com uma derrotante diversidade de conteúdos, aparências e categorias. Se, para definir Arte, tivéssemos de utilizar apenas um critério universalmente válido, seria necessário ordenar e conjugar todas as suas particularidades (evidentes e aparentes) e todos os elementos que nela influem de maneira mais ou menos determinante. Tal empresa, porém, torna-se na prática impossível, pois os materiais dados à pesquisa não se apresentam todos no seu conjunto, nem na sua intrincada rede de inter-relações: - os elementos que se mostram ao estudioso como desprovidos de interesse, ou apenas secundários, tiveram muitas vezes, para o artista mais importância do que aqueles que se mostram em toda a sua evidência, dado que os elementos dispersos e aparentemente superficiais adquirem, na sua relação criativa organizada, um sentido que os ultrapassa na sua elementaridade isolada.

(Por isso, qualquer abordagem do fenómeno artístico é sempre complexa e discutível, não só pela pluralidade de perspectivas que consente, mas também pelas divergências direccionais que os argumentos utilizados, com frequência tomam: -a contingência do discurso estético resulta, em parte, do carácter policêntrico do terreno de análise e, principalmente, da variabilidade dos contornos que o seu objecto de estudo foi historicamente adquirindo.)

>> Sendo a Arte um fenómeno que, na sua essência, se foi construindo a partir de uma "praxis" actuante pré-teórica em que as frequentes mutações formais se demonstram com frequência mais importantes do que as suas invariantes, devemos começar por nos interrogarmos sobre a validade dos conceitos disponíveis pela análise do já feito, ou do que se está a fazer e se eles poderão ser caracterizados e ordenados como dados definitivamente adquiridos. Parece admissível supor que, no geral, a resposta será negativa, se, pelo menos, se pretender que os termos teóricos sejam definidos explicitamente por meio de um vocabulário anterior que não comporte outros termos para além dos já verificados. Na indeterminação de campo em que se move o discurso estético, quase só se pode afirmar com segurança, ainda aqui, também relativa, que a Arte existe e que sempre existiu, mas demonstra-se mais incapaz quando se trata de elaborar dela uma definição convincente, com nitidez e abertura necessárias a uma permanente validade temporal. A reserva que se levanta resulta em parte do facto de a Arte diferentemente da sua concepção actual (se é que existe um conceito hodierno de arte conformemente generalizado) não ter tido outrora e até em épocas históricas recentes, uma existência autónoma de uma preocupação estética exclusiva ou mesmo prioritária. (e, entendamos aqui "estética" num sentido suficientemente lato). Apesar de não se pôr de lado a hipótese, nem que seja como mera hipótese, de sempre ter podido o artista, mesmo que num plano secundário ou inconsciente, uma difusa preocupação plástica, ele integrava-se no seio da sociedade cumprindo a sua função com a consciência de que o seu trabalho só seria considerado ao nível do de qualquer outra actividade artesanal e que a aceitação da sua obra seria resultante da eficácia significante a que ela se destinava. A função e a técnica tornavam-se nesta perspectiva objectivantes e as outras categorias limitavam-se a ser elementos mediadores, ainda que essenciais, para atingir a qualidade socialmente exigida: a "Arte" propunha-se então como uma espécie de teofania no interior do "ser colectivo " profundo, em cada uma das suas impressões e operações na base de uma intencionalidade integradora na totalidade do real objectivo e como necessidade de o individuo se identificar com o que ele não é para melhor e mais seguramente se descobrir nos por vezes complexos sistemas de relação sígnica que contribuem para dar sentido e segurança à existência comunitária. Porém, o conceito de qualidade plástica permanecia fechado no âmbito restrito da resposta a questões já conhecidas, segundo códigos pré-estabelecidos e onde a especialidade estética não parecia ter cabimento dominante: paradoxalmente objectivar a visão transcendental do mundo colocando-o ao nível da vivência existencial. Não é de estranhar que para a eficácia do processo fosse necessário haver estabelecido um conjunto de normas conceptuais e convenções tacitamente aceites por tradição, que facilmente permitiam a sua leitura, aceitação e, até, veneração. Porém, não devemos ter ilusões ou permitia a este respeito; a maior parte das leituras que a obra desencadeava ou permitia era muito mais de ordem religiosa ou cultual do que propriamente ou sequer estética. Mas, por outro lado, a importância significante que as imagens adquiriam, continha o destino da libertação expressiva dos significados nelas contidos, das relações entre os homens e estes a as coisas. A submersão das aparências da realidade pelos significados imagéticos estabelecidos demonstrou-se como a via possível da descoberta do universal no particular e como o espaço propício ao desenvolvimento dos valores plásticos dos referentes implícitos nas formas da realidade teologicamente vivenciada. Apesar disso, ou por isso mesmo, continuou a ser possível estabelecer um conjunto de características necessárias para que uma obra de arte se apresentasse como tal; mas quando os artistas e a ainda as embrionárias teorias estéticas falavam de determinados valores, tinham já no seu horizonte qualidades plásticas ou conjuntos especiais delas e principalmente certas propriedades, tais como rigor, expressão, originalidade, perfeição, coerência, unidade formal, etc..É evidente a preocupação de objectividade que está presente neste quadro de valores (em muitos aspectos ainda actual) mas como é fácil constatar, qualquer uma destas propriedades, quando aplicada à fruição de uma obra de arte perde toda a sua eficácia analítica objectiva, pela subjectividade que envolve qualquer destes conceitos. Mas é precisamente através dessa subjectividade dos conceitos, que parece só admitir um muito especial tipo de conhecimento, uma espécie de epistemologia ontológica que determina nos indivíduos uma capacidade para admitir desvios da sua própria vida interior para aceitar conteúdos psíquicos diferentes - a que podemos chamar "empatia estética", de tal modo que cada Um se identifica com o Outro através dos objectos mediadores que lhe servem de expressão. A tomada de consciência deste fenómeno conduz-nos para a tentativa de elaboração de quadros de valores e de conceitos que fixem para sempre as qualidades permanentes da obra de arte.

É natural que nesta base as tentativas de definição da Arte que têm sido elaboradas, pensadas e deduzidas a partir do modo como se foi manifestando. Mas a validade do método tem que ser sempre posta em causa pelas características que esta vai adquirindo no seu processo de produção socialmente integrado.

Com efeito, uma abordagem empirista como a que atrás referimos, não pode admitir a fixação de uma linguagem que resulte dos predicados observados porque neste campo de análise é sempre necessário fazer intervir processos menos estritos e mais envolventes: em certos casos temos que admitir um conhecimento puramente pratico, noutros, deveríamos conseguir formular descrições teóricas mais amplas das regras ou dos elementos determinantes que balizam a prática artística. Assim, e numa perspectiva puramente pragmática, a Arte seria então uma característica de certos objectos produzidos pelo homem enquanto ser inteligente, que se manifesta pela capacidade de produzir nos outros uma emoção ou prazer, a que devemos chamar "prazer estético" e que conduza a um juízo de valor (ou gosto) sobre a obra em si mesma e a partir da sua intrínseca organização formal, cromática, tonal, gráfica e textural, ou seja, do domínio inventivo e expressivo dos elementos próprios da sua linguagem (aqui, apenas da linguagem pictórica). É óbvio que esta tentativa de definição, que julgo no geral, tão aceitável como qualquer outra, enferma das ambiguidades naturais de outra qualquer definição. Por exemplo, quando se diz "uma característica", continua indefinida que característica ela é e quando falamos dos elementos próprios da arte pictórica (ou, pelo menos, dos fundamentais não podemos nem devemos normalizar de que modo eles se podem ou devem organizar para que possam "produzir nos outros" a "emoção ou prazer, a que devemos chamar efeito estético. Além disso, quando se afirma que a pintura utiliza os elementos próprios da sua linguagem com uma "intrínseca organização formal, cromática, etc.", admite-se descontraidamente que a pintura aceita um código ou uma gramática e que as teorias que dizem respeito á comunicação ,possam explicar a Arte. Mas se por "explicar a Arte" se entende caracterizar o fenómeno artístico segundo um juízo de valor, temos que admitir que a expressão pode ser uma apropriação abusiva dos termos das teorias da comunicação porque a pintura talvez possa não ser uma linguagem, ou não é mesmo uma linguagem no sentido mais restrito do termo. Por outro lado, os "juízos de valor" estão tão dependentes da informação, formação e sensibilidade, em suma, do gosto do fruidor que as considerações sobre a qualidade das obras parecem dependentes de factores que lhes são exógenos a tal ponto que frequentemente parece que a "qualidade" se encontra mais no fruidor do que na própria obra.

_ Nelson Dias_ 1991,Lisboa

segunda-feira, outubro 08, 2007


Compra-me o Amor
compra-me a Alma
Compra tudo,
Menos as tripas e o coração:
vou dá-los de bandeja aos cães da Rua!
Vou esperar-te
depois,
completamente nua
numa cama de Estrelas
Mar
e Solidão.
Maria João Franco_1999

domingo, outubro 07, 2007

da minha janela...





"Estórias do Fundo do Mar"

Fiz-me ao largo no teu corpo carregada de desejo

Icei velas!

sem ter Mar,

fiz-me ao longe e velejei.

Fiz-me ao Mar,

Nua,

Sem Corpo,

ao Vento,

Nua,

sem Mar.

Fiz-me ao teu corpo em desejo

Fiz de meus seios o leme

Fiz-me à vontade num beijo.

Fiz-me ao longe em teu Olhar

Fiz-me ao teu Luar sem barco

Fiz-me ao Céu e ás Estrelas

fiz das Estrelas

caravelas

para nelas

Navegar.

Maria João Franco

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terça-feira, outubro 02, 2007


E
como se as Mãos
fossem guilhotinas


Cortei meus desejos.

o olhar
o sol
a terra

os restos da Guerra

os pequenos Heróis
Bocas de Terra e de Sal

Os homens afirmam-se
à Terra

e dela cortam as últimas raízes.
e assim
como se as mãos fossem guilhotinas

assassinam
ao raiar do sol
os seus pequenos Heróis.


Maria João Franco
2006

sábado, setembro 29, 2007


...sou mais amor e mais cão!








"o ciclo dos mitos"_ Maria João Franco_1984

sexta-feira, setembro 28, 2007

domingo, setembro 16, 2007

"Aparição do Anjo à Virgem"_tec mista s/ tela_195.160_1990
Maria João Franco


Eu já nem sinto o horror da tempestade
e o forte sabor a sal.


Navego neste Mar sem estrelas
e,
quando o sol vier
trará o brilho do azul
e o cintilar perdido
dos reflexos das estrelas de ontem.



Caminharemos pelo cais magoado
de onde as amarras se partiram



e as barcas que ontem se perderam

apregoam hoje o céu
onde os reflexos dourados e azuis
se envolvem no múltiplo jogo
do resplendor dos espelhos.


Ganharemos assim,
os sonhos e as fantasias,
com que o pintor pintou
as almas e as esperanças...


Maria João Franco
set 2007

domingo, setembro 02, 2007










nós, os nus e os outros objectos

Procuro no lugar das coisas um sítio para estar.
Tão longe e tão perto que lido com tudo os corpos
os trapos
as pedras

o Mar
e os objectos que encontramos à toa no lugar
das praias são “todos”
Complexo sistema este em que nos fundimos com os objectos,
os integramos, e deles nos distinguimos.
Com eles nos encontramos, identificamos e deles nos distanciamos



tão só porque queremos ser nós.
sem tempo
sem lugar
os nus são sempre objectos de nós.


Maria João Franco



6 de Dezembro



2003



in "Macau Art Net " ver notícia.

Desenhos/estudos

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estudos
1985






quinta-feira, agosto 30, 2007





Poema para a Eternidade
sobre a obra de Brancusi


Não!
Nos limites do tempo
Já tudo tinha acabado


E
Para lá do tempo
Ainda havia

Um Mar imenso de trevas
Um Céu imenso de estrelas
Um Rosto imenso de olhar

Nos limites do tempo
Infinito inacabado!

Não há tempo
Nem lugar algum
Onde não possamos chegar…


Maria João Franco

2006

Mulher e Eu||MAC Movimento Arte Contemporânea

"MULHER E EU"
MAC -Movimento Arte Contemporânea
Abril 2006






MARIA JOÃO FRANCO



PINTURA



…sobre

“Mulher e Eu”
2006

A pintura (minha) não existe a partir de uma atitude perceptível ou reprodutora.
A sua “fisiologia” advém de uma acção sistemática e dinâmica de reconstrução ou reformulação do seu próprio objecto. Adquire forças e vectores que se interligam por uma forma quase autobiográfica. A “forma” visual tem a forma do sentir, do arrancar, do dissociar para reconstruir.
Essa dissociação constante, essa reavaliação persistente, essa dinâmica latente contem toda a poética da minha obra.
Cada imagem criada conterá já em si o potencial para a sua auto-reconstrução.
Isto é um processo mental que me ultrapassa na sua “mecânica”. Mas é assim e sistemático, não no acto voluntário, mas no automatismo do desconstruir para reconstruir dentro da mesma identidade, com o distanciamento necessário para a não repetição , acto contínuo descontextualizando-se para se igualar.
Não é uma história de repetições mecânicas de formas inventadas.
Assisto a uma regeneração constante e imanente de cada forma e imagem ,objecto em si não repetindo-se, mas prolongando-se em séries que se autodeterminam pelo modo como são abordadas .






Ao libertarem-se das imagens primeiras, criam vida própria,inserta numa sintomatologia própria.
Ao atribuir títulos ás séries estou a denotá-las com situaçãoes extremas,carentes de análise:

-nós os nus e os outros objectos “
-lugar dos desencontros ou os sítios da memória…
-tu vens tão perto… que a distancia existe
-Mulher e Eu

São situações alegóricas a estados do sentimento do estar.

O fio condutor destas mensagens passam pela relação necessária existencial entre mim e o mundo, ora inscrevendo-se nele como peça sujeita a todas as manipulações e as memórias percorridas pela sensação de ter estado, até à constatação efectiva da existência de um EU gerador e suficientemente distanciado da ideia para poder discernir.

Mulher e Eu é talvez a ponta do iceberg que se desnuda a cada passagem das Horas.

Um modo de estar percorrido por toda uma simbologia plástica ligada a uma formalização antropomórfica em que o útil objecto pagão se mistura não alienadamente, nem de forma aleatória com o sagrado.

Com um sagrado de sentido universalizante que emana de todos sentidos ( sinais ) de começo do Mundo – dos mundos…

Da Mulher à mulher
Das Vénus às Santas

De que uma é eleita Virgem.


Nada nesta dualidade “começo e fim” de todas as coisas, onde mesmo a Terra tem lugar de Mãe, afirma ou confirma o lugar de “macho”.

Há sim um universo plástico onde a Forma-Mãe se concebe como principio e fim de todas as CRIAÇÕES.

Maria João Franco
Maio 2006