pintura

sábado, maio 26, 2012

22 de Maio de 2012



José Benzinho entrega Medalha de Prata a Maria João Franco
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.3223641676871.2121323.1441376757&type=3




segunda-feira, abril 30, 2012

Noticias e recortes

“No meu silêncio vejo-te em palavras” marca o regresso a Leiria da pintora Maria João Franco, que expõe até 22 de maio no Edifício Banco de Portugal. Maria João Franco (fotografia: Sandra Costa/CML) Há uma década que a pintora, com 40 anos de carreira, não expunha em Leiria, onde nasceu e onde viveu vários anos. Filha do ator e dramaturgo Miguel Franco, Maria João Franco aproveita a exposição para, simultaneamente, fazer uma homenagem ao pai e encerrar um ciclo do seu trabalho, durante o qual refletiu sobre a Guerra do Iraque e suas consequências. Fotografias da inauguração da exposição no Edifício Banco de Portugal aqui.

terça-feira, abril 17, 2012

no meu silêncio vejo-te em palavras _inauguração

Esta exposição tendo como dia de abertura é dedicada a meu Pai
MIGUEL FRANCO ,
cuja vida e obra foi revivida nas alocuções de
Luis Capinha, Guilherme Valente,meus amigos de infâcia e adolescência,amigos da casa,
que viveram intensamente a actividade pessoal e artística de meu Pai.
Ainda Graça Teixeira fez uma notável intervenção em favor da divulgação da obra de MIGUEL FRANCO,sugerindo ainda a publicação de uma antologia, da responsabilidade da Imprensa Nacional.
A todos os intervenientes abraço com a maior gratidão e amizade.

Dr. Raul Castro,Presidente da Câmara Municipal de Leiria, Maria João Franco e Luís Capinha



Dr.Raul Castro,Maria João Franco e Dr. Guilherme Valente
Guilherme valente,Maria João Franco e Fernanda Sal

Rui Portugal,Marília Figueiredo,Maria manuela (Mané) ,Maria João Franco e Lena Boavida
Rosário Varela,Maria joão Franco e Dr Gonçalo Lopes ,Vereador do pelouro da Cultura da C. M. Leiria

André Pedro e Dr. Genoveva Oliveira
José Paulo Teixeira,dr. Gonçalo Lopes e Maria João Franco
Maria João Franco, Dr. Raul Castro e Dr. Guilherme Valente
Fotos cedidas pela fotógrafa Sandra Costa de C. M. de Leiria

Maria João Franco
franco.mariajoao@gmail.com
http://www.facebook.com/maria.j.franco

www.miguel-lino.blogspot.com
www.casamarela5b.blogspot.com

quinta-feira, março 22, 2012

no meu silêncio,vejo-te em palavras

BREVE VIAGEM

PELA OBRA DE MARIA JOÃO FRANCO

Não é fácil falar da obra de Maria João Franco,

mesmo para quem julga conhecê-la na sua essência.

Uma obra assim pungente, abismo de verdades inenarráveis,

grita-nos, através das suas formas,

parte da história do mundo,

contendo as dilacerações mais profundas da condenação sisifiana,

tragédias que vêm de longe, dos primórdios, não sei bem donde,

revelando que a vida pode ser feita e refeita,

vezes sem conta,

nascimento ou renascimento,

obra que se constrói e desconstrói

até atingir a soma do que realmente importa:

um «tu não dizes, quanto eu te encontro»

— marca inequívoca e basilar

da incessante procura humana pela eternidade possível.

A obra de Maria João Franco possui um global efeito abstractizante,

contudo, parece interiorizar alguns indícios de uma erudição académica,

denunciando insofismavelmente,

desde logo,

a fuga à iniciação a fim de correr livremente

pela diversidade imagética de um universo plástico muito próprio,

sombrio e agonizante.

Nestas telas, entretanto,

Bacon parece espreitar

. Farreras também mas sem perder as bases da sua identidade.

Este ponto de vista tenta explicar a dificuldade

que temos em separar as influências,

vínculos que são perenes

mas que simultaneamente se afastam (ou mesclam)

pela vivência individual de uma mente peculiar — fruto simbiótico,

talvez nascido entre a diferença e a semelhança,

reflectindo na tela, apesar dos paradoxos inerentes,

uma força telúrica e estranha de cunho antropomórfico.

Mesmo quando a autora representa os nus envelhecidos

por cima da sua intocável frescura.

Maria João Franco consegue dissimular, de maneira esplendorosa e única,

a fecundidade, gerando assim, por meio de uma poesia plástica,

a sua própria e inexorável procura,

onde a semiótica persuade o fruidor a olhar para além da sua própria solidão,

do seu próprio sofrimento.

Aquilo que os nossos olhos costumam reconhecer por defeito,

é aqui, em geral,

representado por oposição,

vivenciando um espaço que

Maria João Franco preenche em pureza,

em oração,

em intimidade.


Talvez um dia

o mundo (re) conheça o notável talento desta

artista portuguesa e universal

e lhe conceda o merecido espaço,

mas, talvez, só depois de fundado um novo mundo,

após destruídas as ruidosas cidades

e falsos paradigmas da nossa sangrenta civilização.

MIGUEL BAGANHA




OBRA ENQUANTO VIDA

Foi numa espécie de silêncios ensurdecedores que Maria João Franco sobreviveu, emergiu várias vezes, e solta agora, ao expor mais uma vez, o seu grito de intransigência perante as «forças» que carreiram modos, modas, os autores e ordens em vigor, com frequentes violações do trabalho independente, para a constelação internacional, sucesso a termo, porque outras barreiras selectivas e obscuras existirão neste século.Desde longa data que Maria João Franco foi dando prioridade a um discurso matérico e de alguma violência, proferido entre uma abstracção de teor expressionista e a convocação rochosa do corpo humano — ou do corpo simplesmente. Passo a passo, o seu imaginário recebia impressões graves do exterior, da experiência exógena, acabando por devolver às mãos da pintora fragmentos amassados na devida maturação, coisas endógenas, reanimações poéticas da morte e da vida. Tais verdades interiores, sempre em transformação mas nunca em ruptura, contrariavam o terreno minado pela cultura urbana, formações espúrias, filiação nos concursos rápidos ou guerra dos prémios. Com a sua arte reaprendemos algumas versões de valor porventura romântico, até de raiz na memória dos clássicos problematizantes, a par de uma afirmação expressionista (da mesma mágoa) assente mo testemunho de outros renascimentos e no sentido da revolta. A manipulação do gesto, abarcando logo grande parte do campo, entra depois no domínio da pasta, matéria acumulada sobre esboços líquidos. Alguns dos quais parecem despontar propositadamente nas zonas onde a autora preferiu aderir à transparência e por vezes, quando acha necessário conter a catarse, a decisão de aplicar mansas velaturas sobre troncos antropomórficos duros, brutais, escultóricos. Essa aparente moderação lírica avança com um brilho baço sobre aquelas carnações decepadas, de largas texturas e aparência lítica.Esta busca, algo arriscada, passa por matérias e cores sobretudo acinzentadas, exprimindo de facto a pedra da escultura que evoca o corpo, é um trabalho quase contínuo, quase sisifiano, princípio e fim de um todo que também nos pertence, embora sempre nos escape.Anunciada assiduamente pela sua diversidade, o percurso coerente de Maria João Franco parece abalado, sem que as suas bases se ressintam, dado que esse ponto de vista implica diferença, a simbiose entre diferença e semelhança, o que, apesar de todos os paradoxos, confere uma força inusitada a estas massas onde algum fio de sangue aflora, e mesmo nos casos em que a autora representa (na boa memória académica) os nus falsamente envelhecidos na sua intocável frescura.A forma plástica, em Maria João Franco, recupera do espaço da memória, da própria dor, com obstinação, a ideia e a imagem do corpo, mesmo quando este não se aperta entre os limites do campo e se projecta gestualmente no espaço. A liberdade do fazer, no acesso a qualquer metodologia e materiais próprios, não isenta o formador de pensar quais as razões da sua luta, quais as razões do seu objectivo, o que implica a criação ou aceitação de limites ou regras. Maria João sabe perfeitamente essa condição, porque a condição sobra mesmo quando traída com talento. Neste caso, a pintora está sobretudo ao serviço de si mesma, legando a alguém, a verdade da obra ser um destino de vida.
ROCHA DE SOUSA _2010



sexta-feira, dezembro 09, 2011

pintura 2010/ 2011





OBRA ENQUANTO VIDA



Foi numa espécie de silêncios ensurdecedores que Maria João Franco sobreviveu, emergiu várias vezes, e solta agora, ao expor mais uma vez, o seu grito de intransigência perante as «forças» que carreiram modos, modas, os autores e ordens em vigor, com frequentes violações do trabalho independente, para a constelação internacional, sucesso a termo, porque outras barreiras selectivas e obscuras existirão neste século.Desde longa data que Maria João Franco foi dando prioridade a um discurso matérico e de alguma violência, proferido entre uma abstracção de teor expressionista e a convocação rochosa do corpo humano — ou do corpo simplesmente. Passo a passo, o seu imaginário recebia impressões graves do exterior, da experiência exógena, acabando por devolver às mãos da pintora fragmentos amassados na devida maturação, coisas endógenas, reanimações poéticas da morte e da vida. Tais verdades interiores, sempre em transformação mas nunca em ruptura, contrariavam o terreno minado pela cultura urbana, formações espúrias, filiação nos concursos rápidos ou guerra dos prémios. Com a sua arte reaprendemos algumas versões de valor porventura romântico, até de raiz na memória dos clássicos problematizantes, a par de uma afirmação expressionista (da mesma mágoa) assente mo testemunho de outros renascimentos e no sentido da revolta. A manipulação do gesto, abarcando logo grande parte do campo, entra depois no domínio da pasta, matéria acumulada sobre esboços líquidos. Alguns dos quais parecem despontar propositadamente nas zonas onde a autora preferiu aderir à transparência e por vezes, quando acha necessário conter a catarse, a decisão de aplicar mansas velaturas sobre troncos antropomórficos duros, brutais, escultóricos. Essa aparente moderação lírica avança com um brilho baço sobre aquelas carnações decepadas, de largas texturas e aparência lítica.Esta busca, algo arriscada, passa por matérias e cores sobretudo acinzentadas, exprimindo de facto a pedra da escultura que evoca o corpo, é um trabalho quase contínuo, quase sisifiano, princípio e fim de um todo que também nos pertence, embora sempre nos escape.Anunciada assiduamente pela sua diversidade, o percurso coerente de Maria João Franco parece abalado, sem que as suas bases se ressintam, dado que esse ponto de vista implica diferença, a simbiose entre diferença e semelhança, o que, apesar de todos os paradoxos, confere uma força inusitada a estas massas onde algum fio de sangue aflora, e mesmo nos casos em que a autora representa (na boa memória académica) os nus falsamente envelhecidos na sua intocável frescura.A forma plástica, em Maria João Franco, recupera do espaço da memória, da própria dor, com obstinação, a ideia e a imagem do corpo, mesmo quando este não se aperta entre os limites do campo e se projecta gestualmente no espaço. A liberdade do fazer, no acesso a qualquer metodologia e materiais próprios, não isenta o formador de pensar quais as razões da sua luta, quais as razões do seu objectivo, o que implica a criação ou aceitação de limites ou regras. Maria João sabe perfeitamente essa condição, porque a condição sobra mesmo quando traída com talento. Neste caso, a pintora está sobretudo ao serviço de si mesma, legando a alguém, a verdade da obra ser um destino de vida.



ROCHA DE SOUSA

quinta-feira, dezembro 08, 2011

segunda-feira, dezembro 05, 2011

terça-feira, novembro 22, 2011

quinta-feira, novembro 10, 2011

quinta-feira, outubro 27, 2011

"por dentro do silêncio" na Casa Municipal da Cultura de Coimbra


Inauguração :terça-feira, dia 8 de novembro pelas 18 horas.
A mostra estará patente até 7 de dezembro
com o horário normal da Galeria Pinho Dinis.


contactos:


+351 919276762




segunda-feira, outubro 24, 2011

quarta-feira, outubro 19, 2011

Arte e Globalização - FIZ'ART


Os alunos do 9º ano do Colégio Militar
e o MAC – Movimento de Arte Contemporânea têm o prazer de convidar V/ Exa.
para a Exposição Fiz’ART2011
patente de 19 a 28 de Outubro no Pavilhão do Auditório do Colégio Militar.

PROGRAMA
4ª feira - 19 de Outubro, 15h30
Mesa redonda
“Arte e Globalização”
moderada pelo Dr Álvaro Lobato de Faria,
com a participação do Escultor João Duarte e
dos Pintores Maria João Franco, Paulo Canilhas e Pedro Zamith.


/ARTE E GLOBALIZAÇÃO / intervenção de Maria João Franco

NO fim do século XX, o conceito de território já havia sido completamente revisto. Antes mesmo da popularização da rede Internet, fala-se CONCEITO de uma Aldeia Global, num patamar comum, vizinhos cada vez mais próximos. Dinamarca, Holanda, França, Japão, China, Haiti, Sudão. Os estados nacionais, as nações, perdem sua força. A economia de mercado, o Capital, toma para si o controle das relações sociais, políticas, culturais – o Neoliberalismo. APOIADO PELAS Corporações Transnacionais. O meio de comunicação comum a todos, a rede mundial Internet torna-se, ao mesmo tempo, agente necessário, resultado profícuo neste processo.
Diante de fluxos muito mais dinâmicos, a produção cultural mundial parte para uma certa homogeneidade.
A Mass Media – nos anos 90, omnipresente em todos os meios – parte com uma estrutura comum, muitas vezes centrado na figura do indivíduo urbano, a metrópole e seus problemas, violência, solidão, perversão e outros tantos que tornam a geografia humana, o lugar de origem cada vez menos caracterizado e mais indefinido.
Segundo IBELINGS. “ em quase todas as partes, as arquiteturas humanas exploradas com fins lucrativos e expansivos tem um certo grau de inexpressividade. A tendência parece mais clara que em nenhuma outra parte nas cidades asiáticas, objetos de numerosas reportagens recentes em publicações que descrevem, com uma mescla de surpresa e admiração, o desenvolvimento frenético de cidades como Seul e Xangai".
Essa homogeneização global irá ser ainda mais visível naqueles espaços que AUGÉ (1994) irá classificar como não-lugares, tais como supermercados, aeroportos, centros comerciais, hotéis, rodovias e outros espaços de passagem nos quais existe a impressão de serem idênticos, independentemente do lugar do mundo onde estão situados.
Desta forma, os indícios de localidade e identidade perdem –se, igualando-se. Alcançamos assim e por excelência, um universo descontextualizado.
2.1 Arte global
Se o processo de globalização vem criando homogeneidades, estas por sua vez, estabelecem um repertório comum para qualquer individuo criando um universo de referentes que à partida lhe seriam alheios. O significado distancia-se do significante , independentemente da origem do indivíduo.
Neste contexto, global por excelência, a produção artística ou aquilo a que chamamos arte difere em conceito , interligando-se com outras formas de expressão, que entram assim para o campo da arte sem território de análise que lhe confira a ordem e patamar que lhe é devido.
Voltamos assim à antiga questão que evidencia e confunde o Homo faber, com o homo sapiens.
Sabemos ser uma das características do homem a produção de objectos e na sua factura intervêm componentes de ordem vária que decorrem de intenções diferenciadas. A função de cada um dos objectos produzidos está em estreita ligação com a satisfação de fenómenos de necessidade. Mas há um momento de satisfação não necessária que
ultrapassa o sistema de necessidades elementares. A produção de objectos com arte é a primeira fase de ultrapassagem do sistema de necessidades elementar. O objecto – por vezes estético – (por vezes ético) é ultrapassado na sua intenção com o decorrer do tempo e surge com um significado-outro, desligando-o do referente (real ou imaginário) que lhe estava na base. No fundo, quando o objecto perde função imediata, tornando-se objecto de contemplação , surge Segundo os teóricos, como obra de arte, quando ele não representa, de facto, e antes de mais, um determinado estádio de evolução do homem, não no sentido plástico, mas no sentido de relação homem-natureza. O que acontece é que os objectos que perderam função são hoje sublimados, no sentido de se situarem no plano de organizações sígnicas representativas de estádios de civilização diferentes: é sempre sinal da passagem do homem sobre o mundo e da sua vitória sobre os materiais e as tecnologias, no sentido em que os domina e lhes dá forma e sentido E é só nesse sentido que podemos dizer que tudo o que o homem faz tem um carácter estético. O homem, na sua necessidade natural, como ser gregário, e, individualmente, como ser dominador, manipulador, tende a dar forma a todas as suas acções. É nessa tendência que está implícita uma estética – e dela surgirá porventura o fenómeno artístico ou para-artístico Na medida em que a função do objecto se vai sobrepondo à forma criam-se objectos estéticos – as sub-categorias de objectos – que ao abrirem um novo espaço formal tentaram introduzir-se no campo da arte. O pressuposto estético fica aquém do artístico e a apologia da norma e do funcional Torna-se perfeitamente apologética, como consequência daquilo que lhe falta: a dinâmica poética.
Neste ponto da situação actual ,a globalizaçao e consequente massificação coloca o conceito de Arte num campo escorregadio em que tudo é permitido, dado a indefinição da referencialidade vivida.
A obra de arte não resulta de conceitos estéticos, mas da própria vida: justifica-se a si própria na sua capacidade ambivalente de a assimilar e projectar. Contudo, a capacidade expressiva de um objecto não é forçosamente índice de fenômeno artístico. Ela surge muitas vezes por empatia casual imposta por ditaduras de gosto, geradas por mercados internacionais engajados já no sistema neoliberal em que imperam os “lobbies”,não de gosto mas de formas das convenientes de ditaduras do estar que satisfaçam as camadas menos exigentes das populaçãos
. Por isso a arte favorece o diletantismo “estético” e o snobismo cultural. E os seus agentes na sua anciã de auto promoção subsidiam intelectualmente e não só a produção maciça de objectos para – estéticos. O fenómeno artístico esta mais ligado ao que esta subjacente ou supra jacente a fisicidade do objecto. E esta aqui o fulcro do problema: o
fenómeno artístico surge quando, a partir de uma concepção e uma determinada execução de técnica se introduz no mundo um mundo que nele não existia
Certas correntes actuais, bastante na linha deste pensamento, contradizem-se, na medida em que consideram já o objecto artístico o simples acto do fazer (puro acto lúdico), desprezando a partida o acto de dominar o fazer, em função do conceber. Não se trata de trabalho, mas de simples imitação de trabalho. O truque só é eficaz enquanto esconde o artifício. A displicência da factura e o desprezo acintoso pela estrutura artificializa esta, na medida em que a transforma de suporte da imagem em imagem em si mesma. Ao simular como autentica a atitude, o objecto concretiza-a, mas esvazia-se como finalidade artística. Este esteticismo apriorístico e normativo que contraditoriamente se apresenta como anti-norma, funcionaliza o objecto tornando-o ilustrativo da teoria e da moda, retira-lhe finalidade intemporal, torna-se simples exemplo de uma teorização estética, mas afasta-o da arte, pois que a obra de arte, enquanto produto humano não pode, não deve tornar-se simplesmente imitação de si própria.
Se a arte começou por reflectir uma tentativa de o homem dominar a Natureza, imitando a sua vitória, caminhou para a imitação da Ideia, para a imitação da Natureza ou como processo representacional de imitação do homem, passando inclusivamente pela representação da sua realidade interior.
Como valores de mercado, a assinatura tornada objecto de consumo como sinal de troca valor-signo de estatuto social, as conexões estabelecidas a partir de relações confusas entre os conceitos de objecto estético e objecto artístico, a indefinição falaciosa com que a crítica de arte mal autorizada faz eleger a “objecto de arte” uma qq “estrutura” que devidamente divulgada pelos Mass media em espectaculares operaçoes de marqueting, faz com que as histórias da arte de hoje corram o risco de ser a história dos êxitos fracassados a curto prazo. Muitas das obras actuais serão, com toda a certeza encaradas no futuro como “cheques sem cobertura”, O objecto artístico contemporâneo é hoje extremamente difícil de definir, de tal modo o conceito de “arte” tem sido alargado e empobrecido. Digamos antes que de conceito se passou “pré-conceitos”. Parece haver aqui uma contradição; mas se considerarmos que o pré-conceito se baseia em falsos valores, eles próprios não autorizam a formulação de qualquer espécie de conceito, Pois até o conceito de “conceito” não existe, porque não há critério que defina o campo em que determinado objecto se coloca e se oferece à análise. Será o entendimento do fenómeno artístico que limpará o terreno e definirá o que é a arte do futuro, hoje.
Assim,Do sítio onde nascem as ideias, os ideais, parâmetros de uma civilização mais do que milenar, questionaremos, e bem, a verdade ou a sua ilusão, a liberdade e o seu conceito, o conceito e a sua razão. Durante séculos de afirmação, os poderes instituídos pautaram-se por estatutos do estar, coeficientes de integração do indivíduo em sociedades ditas civilizadas. Contudo, e por outro lado, tais poderes filiaram de forma compulsiva, nos seus esquemas de conceito, civilizações anteriores, procurando garantir efeitos tendenciosamente indicadores do futuro.
Pergunto ainda se esta nova «massa de escravos» quererá, se bem informada, este «admirável» mundo liberal?
Os contra-sensos criados em termos anti-natura, tão brilhantemente descritos numa inquietante premonição de Aldous Houxley no seu ―Admirável Mundo Novo‖ remetem o homem para condições sociais em que os choques tecnológicos são armas de poder mal constituído.
Com todas estas palavras quero introduzir a ideia, que me parece fecunda, de tentar visionar o País Submerso em que vive o aculturado, sempre a aceitar tudo o que lhe atiram como bom.
Não falo de influências e saberes.
Falo de factos vividos dia a dia, em que vejo as várias áreas da cultura invadidas e estranguladas por agentes do poder, de poderes impostos por «quem de direito».
Para não perigar por algum indicador de nacionalismo, passo a afirmar que respeito todas as trocas de informação cultural, orais, escritas, de qualquer credo, ou ainda, e com mais rigor, no domínio das artes plásticas que é a área a que me dedico.
Questiono porém a inversão de valores e o desrespeito por valores adquiridos.
Sabemos que os caminhos que nos trouxeram ao presente trazem consigo conceitos de toda a ordem, conceitos representativos de época e de civilização.
Sabemos ainda que toda a teorização estética ocidental se baseia nas teorias platónicas e/ ou neo-platónicas.
Ainda: a busca incessante do conceito de ―belo‖ que percorre as páginas de todos os filósofos e estetas não é mais do que a busca do sentido da Verdade e do Prazer Estético e dos seus fundamentos.
As pesquisas e práticas renascentistas, advindo de descobertas científicas ou pré-cientificas, situando o Homem como elemento central e medida de todas as Coisas, dá um incremento real a conceitos representativos revolucionários em que a tridimensionalidade é assumida como princípio da representação e de relação entre o Homem e o Mundo.
Daqui, os conceitos epocais — sociais, morais, éticos e estéticos — tomam uma ênfase propiciatória aos desenvolvimentos futuros, em que as marginalidades se debatem na impossibilidade institucional de integração. Advindo todos os maneirismos desta impossibilidade, colocam-se dialecticamente numa mais valia para as sociedades vindouras, surgindo assim novos conceitos de Arte e de Mercado, em que os valores se digladiam e complementam numa argamassa complexa, muito difícil é desconstruir/construir um País tão mal informado, como o nosso.
O estado da Arte, ou seja, do culto do saber sobre a Arte, peca por menoridade.
Se os anos oitenta trouxeram para o mercado da cultura protagonistas «emergentes» impostos pela critica, e por bem ser, e também, por agentes de mercado embevecidos pela novidade do Mal Fazer, os chamados «Novos Novos», auto-intitulando-se de «transvanguarda», fazendo-se detentores de verdades importadas, «declinando» e «conjugando» valores afinal apropriados a outras sociedades, aí mesmo já ultrapassados por razões de mercado que não urge agora aqui descrever, subverteram de facto o espírito do gosto e trouxeram benefícios culturais ao empobrecido espírito luso.
Por outro lado, abriram-se diques, aparentemente inultrapassáveis, e permitiram um mercado aberto _global_a toda a espécie de fraude criativa. Tresloucadas aparições de pseudo-artistas detentores de meios próprios ou apropriados de outrem, espalhafatando-se em arraiais de diletantismo, extravasando mundialismo, arrastando-se em espectáculos dignos (sim) desta infra-sociedade em que o consumo aumenta na justa e inversa medida da qualidade…
Assistimos assim a silenciadores constantes de valores por parte de oportunismos infames e consentidos que submergem, isso sim, os valores autênticos de uma cultura que se quer rica e verdadeira.
Passamos a assistir a uma invasão de falsos valores, por mal compreendidos os
fenómenos de evolução e/ou revolução cultural e artística.
Numa ânsia enlouquecida de seguir o modo e a moda de estar num mundo global, os nossos «sábios» esquecem ou nunca souberam as autênticas existências e pescam, em «curadorias» emergentes e ansiosas, novas formas de imposição, criando para o poder um suporte cultural que não existe, tudo numa euforia de estar a par (ou passo a passo) com os «residentes» desta pérfida aldeia global.
País submerso este, tão tristemente esquecido de si próprio, imerso em esquemas alheios de alienação e propaganda…

Maria João Franco
Outubro de 2011



terça-feira, outubro 04, 2011

Galeria Zero / ART ET AUTOMNE I

ART ET AUTOMNE - The first private view will be Friday 14th October 19h.

See the brochure of this event at http://paris.galeriazero.info/automne.htm

sábado, setembro 24, 2011

descendimiento



"saúdo mais este seu testemunho do que produz como pintora, o corpo e a dilaceração,
um sonho sombrio a rolar pela mon-tanha que Sísifo trepa todos os dias, levando a sua «pedra»."
Rocha de Sousa

em Netlog