pintura

sábado, outubro 25, 2014

MOSTRA INTERNACIONAL DE PINTURA em Matera, Itália a partir de 3 de Novembro de 2014 - organização de PINO NICOLETTI











OMAGGIO A MARIA JOAO FRANCO
Ho avuto il privilegio di conoscere Maria e di comunicare con lei.I nostri discorsi attraversavano il mondo dell'arte,della politica,la precarietà delle nostre esistenze.
Artista fine,sensibile,assai colta,essa esprime il suo mondo con le sue poesie e le opere pittoriche. C'è un fondo di malinconia sul suo viso,come un senso di tristezza esistenziale e di nostalgia per una totalità frantumata in modo irreversibile,per i paradisi perduti per sempre. I suoi dipinti sono avvolti in sontuose e inestricabili ragnatele,in cui il tempo ha un movimento davvero felice. Si avverte come una contrapposizione fra il vagheggiamento della serenità della natura e quello della transitorietà della storia. Molto spesso vengono dipinti corpi femminili,misteriosi e seducenti,come se il mondo venisse interpretato attraverso la categoria della donna. E' evidente la proiezione di un archetipo femminile presente nell'inconscio dell'artista,di intonazione simbolista. Qui tutto è in equilibrio : volumi,colori,contrasto di piani,senso tattile e cinetico dei valori spaziali in una misura ritmica,che rispecchia gli stati d'animo dell'artista,che scrive : "la mia pittura non esiste che a partire da un'attitudine percettiva e riproduttiva. La sua fisiologia diventa essa stessa ricostruzione sistematica e dinamica nella riformulazione del suo proprio oggetto detto propriamente referente,denotato o connotato. Essa si plasma creando assenze,per cui,secondo il mio desiderio,il mistero può forse seguire e raggiungere altre direzioni".
I dipinti sono come involucri,maschere senza volto intrise di passione e di tristezza. L'artista testimonia,con la sua ricerca,la conquista paziente di tanti minuti di poesia. E' una pittura densa di meditazione e di riflessione,carica di un pathos,che la rende vivente e materiale. Da questi involucri vuoti in apparenza,dall'arabesco delle loro ossature,affiorano volti ed immagini che esprimono tutta l'angoscia del nostro tempo. Dentro quei corpi appena abbozzati c'è una poltiglia di sentimenti,di affetti e passioni,inseriti in un commosso disegno lirico. I soggetti dipinti sono come immagini distaccate in un solo cosmorama,complici di un'azione morale. Le opere sono fatte con le mani,ma sono suggerite dallo spirito,dalla poesia. Esse si fanno tenere,quasi commosse,dentro un colore quasi anonimo,sordo,muto,ma il cui esito pittorico acquista tutta la forza del dettato lirico. Nel tremolio del pennello,nel poco colore intriso e stemperato,c'è un clima morale che rappresenta emblemi del malessere quotidiano. I segni,le cicatrici,i lampi,le ombre che arrivano da ogni parte dell'opera,esprimono la dissoluzione fisica dei corpi e di un mondo ormai privo di valori. Nelle strutture chiuse dei corpi,fortemente evocatrici e pieni di mistero,c'è l'archeologia del sentimento della passione. Maria è una poetessa,che deve ricorrere ai colori per esprimere tutta la sua precarietà e la disperazione del nostro tempo.

Pino Nicoletti





HOMENAGEM A MARIA JOAO FRANCO
Tive o privilégio de conhecer Maria João e de comunicar com ela. As nossas conversas atravessavam o mundo da arte,da política,a precariedade das nossas existências.
Artista fina,sensível, culta,ela exprime o seu mundo com a poesia e a pintura. Há um fundo de melancolia no seu rosto, como se uma tristeza existencial,de saudade de uma totalidade desaparecida de modo irreversível, dos paraísos perdidos para sempre. Os seus quadros estão envoltos em sumptuosas e inextricáveis teias de aranha,nas quais o tempo tem um movimento realmente feliz. Advertimos uma contraposição entre a contemplação/desejo de serenidade da natureza e o da transitoriedade da história. Muitas vezes, são pintados corpos femininos,misteriosos e sedutores,como se o mundo fosse interpretado através da categoria da mulher. É evidente a projeção de um arquétipo feminino presente no inconsciente da artista,de entoação simbolista. Aqui, tudo está em equilíbrio: volumes,cores,contraste dos planos,sentido táctil e cinético dos valores espaciais numa medida rítmica,que reflete os estados de alma da artista. Ela escreve : " a minha pintura não existe senão a partir de uma atitude perceptiva e reprodutiva. A sua fisiologia torna-se, ela mesma, reconstrução sistemática e dinâmica na reformulação do seu próprio objecto dito propriamente referente,denotado ou conotado. Ela plasma-se criando ausências, através das quais, segundo o meu desejo, o mistério poderá talvez prosseguir e alcançar outras dimensões".
Os quadros são como invólucros pintados,máscaras sem rosto cheias de paixão e tristeza. A artista testemunha,com a sua busca, a conquista paciente de tantos minutos de poesia. É uma pintura densa em meditação e reflexão,carregada de um pathos, que a torna viva e material. Destes invólucros na aparência, do arabesco dos seus ossos,afloram rostos e imagens que exprimem toda a angústia do nosso tempo. Dentro daqueles corpos apenas esboçados há uma mistura de de sentimentos,de afectos e paixões,inseridos num comovido desenho lírico. As figuras/ os sujeitos pintados são como imagens destacadas num único cosmorama,cúmplice de uma ação moral. As obras são feitas com as mãos,mas são sugeridas pelo espírito,pela poesia. E tornam-se ténues,quase comovidas,dentro de uma cor quase anónima, surdomuda, VER, cujo resultado pictórico adquire toda a força da récita lírica. No tremor do pincel, na pouca cor introduzida e destemperada, há um clima moral que representa emblemas do mal estar quotidiano. Os signos/sinais, as cicatrizes, os lampejos, as sombras que chegam de toda a parte da obra,exprimem a dissolução física dos corpos e de um mundo agora privado de valores. Nas estruturas fechadas dos corpos,fortemente evocadoras e plenas de mistério, existe a arqueologia do sentimento da paixão. Maria é uma poetisa, que tem de recorrer à cor para exprimir toda a sua precariedade e desespero do nosso tempo.
Pino Nicoletti


trad de Dra Armandina Maia





MATERA, Capital Internacional da Cultura em 2019